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Este artigo analisa as influências históricas, institucionais e externas que moldaram o desenvolvimento do sistema contabilístico moçambicano e o seu processo de harmonização com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS).
Partindo de uma perspetiva institucional, o estudo examina o papel da herança colonial portuguesa, da formação contabilística, do idioma, do modelo estatal e das pressões normativas externas na configuração contemporânea do sistema.
Os resultados indicam que a herança colonial continua a influenciar significativamente as estruturas normativas e práticas contabilísticas, evidenciando a persistência de orientações legalistas de inspiração portuguesa.
Simultaneamente, a harmonização com as IFRS é percecionada como fortemente impulsionada por pressões institucionais externas, coexistindo com limitações internas relacionadas com a formação profissional, capacidade institucional e barreiras linguísticas.
A Ordem dos Contabilistas e Auditores de Moçambique (OCAM) é reconhecida como ator relevante na profissionalização do sector, embora o seu impacto seja considerado insuficiente para ultrapassar constrangimentos históricos e estruturais.
Conclui-se que o sistema contabilístico moçambicano resulta de um processo de hibridização institucional, caracterizado pela interação entre continuidades históricas, exigências globais e fragilidades internas.
O estudo contribui para a literatura sobre contabilidade em contextos pós-coloniais, evidenciando os efeitos persistentes do colonialismo e os limites da harmonização normativa em ambientes institucionais em desenvolvimento.
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