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Este livro é um ensaio científico-filosófico que parte de uma premissa deliberadamente incômoda: o Homo sapiens pode não ter sido a espécie que naturalmente deveria ter persistido. Não como provocação retórica, mas como conclusão ancorada em evidências factuais que raramente recebem o escrutínio que merecem.
O argumento central articula uma distinção operacional entre eficácia - a capacidade de resolver problemas e inovar - e efetividade , medida pela persistência no tempo profundo . Sob esse segundo eixo, o Homo erectus , que habitou a Terra por quase dois milhão de anos em equilíbrio relativo com a biosfera, supera o sapiens por margem esmagadora.
Nós existimos há cerca de 300 mil anos, e, em doze milênios de civilização, construímos arsenais nucleares, desestabilizamos o clima planetário e produzimos epidemias de sofrimento psicológico sem precedente.
Este ensaio também examina a hipertrofia cognitiva do sapiens - expansão desproporcionada dos córtices pré-frontal e parietal - não como progresso linear, mas como o desenvolvimento que gerou fascínio, mas também condenação.
A linguagem recursiva e simbólica, que nos permite construir filosofia e arte, é a mesma que mantém ameaças afetivamente presentes mesmo tendo desaparecidas há décadas, projetando ameaças em futuros que nunca existirão.
O sistema límbico não distingue ameaça real de ameaça narrada: somos a única espécie que sofre sistematicamente por mundos que não existem, que são pura especulação.
Ao longo de seis momentos argumentativos, a exposição chama Foucault para diagnosticar a angústia como produção histórica, Lipovetsky para caracterizar a hipermodernidade como sintoma terminal, e Sagan para inscrever o sapiens na indiferença cósmica, em que a extinção é regra, não exceção.
Wittgenstein e Merleau-Ponty operam como ferramentas analíticas na interrogação da linguagem como dupla face: ferramenta e ferida. Cioran fornece a formulação mais precisa do impasse: a consciência como doença incurável, o conhecim
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